E assim se passou um ano lectivo, num país distante para onde não querias ir, e que teve um começo tão difícil e um fim tão surpreendente e brilhante.
A barreira da língua foi, sem dúvida, o maior problema. Não conseguir comunicar, não perceber o que se passa à nossa volta, seguir os outros sem saber porquê ou para quê... Apenas olhar para o relógio com a esperança que ele ande mais depressa. A mente a divagar... por onde? Não interessa, qualquer sitío menos aqui...
A falta dos amigos. É tão bom estar perto de pessoas que gostam de nós, que nos compreendem quando apenas lhes damos a mão e dizemos "Vamos?"
A família, os miminhos que a família dá são tão bons e reconfortantes, insubstituíveis... quem nos compreende melhor do que os nossos queridos avós?!
A nossa casa, as nossas coisas, a nossa vida, tudo o que conhecemos.
Momentos de dúvida existiram. O momento mais marcante que me fez pensar "Será que foi a decisão certa?..." aconteceu certo dia no recreio em que a professora tinha preparado um exercício de encontrar coisas com base num mapa do recreio. Cheguei antes da hora de saída, 10 minutos antes como a H. me pedia sempre, e assisti ao final do exercício... o seu ar distante, o esforço para se mostrar interessada para as colegas, o desviar o olhar com esperança que a professora não lhe fizesse nenhuma pergunta, o olhar para baixo com olhos tristes... foi um momento muito difícil..., para ela porque todos os momentos na escola eram assim, e para mim que assisti ao que ela realmente passava diariamente... e sem poder fazer nada para conseguir melhorar algo no seu dia-a-dia...
Um dia de manhã ela disse-me: "Mamã tu não sabes como é! Não digas que vai melhorar, tu não estás cá, eu é que estou..." O meu coração ficava destroçado... e o dela também...
Mas a verdade é que melhorou! Todos me diziam que ia melhorar, mas até acontecer, ninguém acredita.
Ponto de viragem: O Natal.
Foi quando percebeu que falava inglês e que grande parte das meninas portuguesas da sua idade não a percebiam. A verdade é que lhe fez bem ao ego, e ela estava a precisar disso :)
A partir daqui foi sempre a melhorar:
- A alegria que sempre sentiu em ir para a escola (desde a creche), voltou!
- O falar sem parar, voltou!
- A sua vontade de fazer coisas e pedir para as fazer até conseguir, voltou!
A H. voltou a ser quem era!
Arte e Música, foram as suas disciplinas favoritas.
Matemática, foi com uma perna às costas! E se estudasse então, tinha sido de olhos fechados.
Inglês (como língua não materna (inglês intensivo)) foi o que fez a diferença. A H. teve muita sorte com a professora. Existem poucos professores que conseguem "marcar/tocar" os alunos, esta professora é uma delas. Fez toda a diferença, e colocou a H. no nível em que ela está hoje. Não é fluente em inglês, pois ninguém consegue ficar em 9/10 meses, mas é impressionante o que ela alcançou.
3 períodos - 3 livros:
1º - Por causa de Win-Dixie: Um desastre. Um filme de terror para a conseguir colocar a ler, para se interessar, para perceber.
2º - A teia da Carlota: História que já conhecia mas que não se lembrava. Esforço ainda para ler (mais por preguiça do que por não conseguir).
3º - Jane Goodall - My life with the chimpanzees: Sem comparação. Lia sozinha, fazia os resumos e respondia às questões sozinha. Impressionante ver a evolução.
Exposições à 6ªf sobre temas diversos. Discussão de temas da actualidade, como p.ex., a morte de Nelson Mandela. Angariação de fundos com produtos elaborados pelos alunos para doar ao Instituto da Jane Goodall. Foi muito intenso, e importante, para perceberem o mundo que os rodeia.
A festa de final de ano, encerrou este ano lectivo. Nesta festa são atribuídos prémios/certificados aos alunos que se distinguem/evidenciam em diversas áreas. À H. foi-lhe atribuído um prémio de Resiliência. Foi o culminar de um ano lectivo cheio de obstáculos, dificuldades, evoluções, alegrias, e "vou conseguir!".
Depois da festa, os alunos regressaram às suas salas, todos se sentaram no tapete onde normalmente são discutidos os temas da aula, os livros que estão a ler. Neste dia, a professora disse palavras de despedida a cada uma das crianças. As palavras de despedida da professora foram lindas. Lágrimas escorreram pela face da H. enquanto a professora falava com ela.
"Já viste onde chegaste? Lembras-te que no início nem conseguíamos comunicar? E agora olha para ti. Tu vais conseguir fazer tudo o que quiseres da tua vida! És um génio, acredita em ti!"
PARABÉNS H. Superaste este ano tão difícil. A tua recompensa são 2 meses de férias em Portugal, com muito amor e carinho de quem mais gostas. E a certeza de que para o próximo ano lectivo, já vais poder ser tu própria, num ambiente que não te é desconhecido e que agora até já começas a gostar :)
És muito corajosa e lutadora. E estamos muito muito orgulhosos de ti!
Aventuras de uma família portuguesa na Suécia.
Impressões, sentimentos, receios, aventuras e momentos...
sábado, 28 de junho de 2014
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Casa Nova!!! [ Mas esta é mesmo nossa ;) ]
Em Portugal nunca nos passou pela cabeça mudar de casa... quando comprámos a casa foi com a dimensão já a pensar nos filhos, a localização certa, enfim e outros factores que agora não me lembro...
Aqui em apenas 9 meses já mudámos 2x de casa... como a vida muda... e nós também...
[adiante]
Casa nova, é verdade, mas esta é NOSSAAAAAA!!
Sim, porque o aluguer de casas em Estocolmo é de loucos, e nós não queríamos andar nesta troca de casa de 8 em 8 meses, por isso, e seguindo o conselho de várias pessoas com conhecimento de causa, deveríamos avaliar a opção de compra quando recebessemos o aviso de saída da casa em que estávamos.
E nós pessoas preparadas como somos, quando regressámos das férias de Natal, começamos a pensar que deveríamos tratar do assunto, porque isto de viver em casa alugada não tem assim tanta piada...
Identificámos os requisitos mais relevantes e chegámos à conclusão de que o que queríamos era de:
Aqui em apenas 9 meses já mudámos 2x de casa... como a vida muda... e nós também...
[adiante]
Casa nova, é verdade, mas esta é NOSSAAAAAA!!
Sim, porque o aluguer de casas em Estocolmo é de loucos, e nós não queríamos andar nesta troca de casa de 8 em 8 meses, por isso, e seguindo o conselho de várias pessoas com conhecimento de causa, deveríamos avaliar a opção de compra quando recebessemos o aviso de saída da casa em que estávamos.
E nós pessoas preparadas como somos, quando regressámos das férias de Natal, começamos a pensar que deveríamos tratar do assunto, porque isto de viver em casa alugada não tem assim tanta piada...
Identificámos os requisitos mais relevantes e chegámos à conclusão de que o que queríamos era de:
- 3 quartos + sala,
- de um apartamento novo, que isso foi algo de que gostámos nesta casa alugada,
- perto de uma saída de metro,
- em Estocolmo
até nem são factores impossíveis de concretizar...
e esquecemos aquela coisa da vivenda, com jardim virado para o bosque, fica para outra vida...
Começámos então na procura da casa, zonas que gostávamos, dentro do valor acordado com o banco, e começamos a pesquisar no site onde tudo acontece! Ah, pormenor importante... as casas são compradas através de um processo de leilão.
Pois, se achávamos que procurar uma casa para alugar foi um dos trabalhos de Hércules, comprar uma casa foi quase Missão Impossível... de tal forma que no início de Março as coisas estavam tão complicadas, que o V. zangadissímo com toda esta situação disse: "Eu não quero saber! Em Junho vai tudo para Portugal e NINGUÉM VAI VOLTAR!" [eu sei, é dificílimo chatear o V.]
E para que este post não seja uma longa narrativa de tudo o que nos aconteceu, aqui fica um resumo:
[Nota adicional: no meu anterior emprego, fui acusada de não conseguir fazer resumos simples, mas vou tentar]
- visnings (visitas às casas) são todos aos Domingos entre as 12:30 e as 13:30! [espectacular para os "tugas" uma vez que calha na nossa hora de almoço, os suecos estão despachados a essa hora, mas nós... nós lá íamos com as míudas e com as sandochas na mochila para ver as casas, e tinham de ser várias no mesmo dia]
- participar em leilões de casas, que nem sequer eram assim tão giras...
- o valor das casas a subir e a terminar em valores bastante superiores ao inicialmente definido como "valor aceitável"
- não prescindimos dos "3 quartos + sala";
- do apartamento novo..., prescindimos mas dependerá muito das condições;
- ok, podemos trocar a saída de metro por um outro meio de transporte, desde que não seja o autocarro..., são bons, mas ao fim de semana são muito reduzidos :( ;
- Em Estocolmo..., era tão bom que conseguissemos ficar em Estocolmo...
Revistos os requisitos, revimos as nossas opções e fomos mais agressivos nos leilões em que participámos e nas casas que visitámos.
[Deixámos de ir ver casas, só por ver! No início era giro, mas todos os Domingos "queimados" a ver casas, começou a pesar...]
Conclusão: para ficarmos em Estocolmo, tínhamos-nos de ficar pelos 2 quartos + sala, ou então só nos restava sair de Estocolmo.
Novos locais! Uma das casas que fomos ver fora de Estocolmo, e sobre a qual estavamos bastante interressados, tinha uma decoração um pouco antiquada, e quando entrámos no prédio os velhotes que lá viviam davam-nos um grande sorriso, pensámos que seria por causa das miúdas...
Quando entrámos na casa, o agente da imobiliária disse-nos que erámos um casal bastante novo e não nos deu o panfleto da casa... agradecemos com um grande sorriso de satisfação, pois apesar da idade continuamos a receber elogios pela nossa juventude. Mas pedimos o panfleto, o qual ele justificou que não fazia sentido uma vez que a casa era para pessoas com mais de 65 anos... a sério?!?!?! faz-se isso aqui na Suécia!??!?! Este país de facto...
[se calhar temos de começar a fazer um esforço e começar a traduzir os detalhes da casa...]
Quando entrámos na casa, o agente da imobiliária disse-nos que erámos um casal bastante novo e não nos deu o panfleto da casa... agradecemos com um grande sorriso de satisfação, pois apesar da idade continuamos a receber elogios pela nossa juventude. Mas pedimos o panfleto, o qual ele justificou que não fazia sentido uma vez que a casa era para pessoas com mais de 65 anos... a sério?!?!?! faz-se isso aqui na Suécia!??!?! Este país de facto...
[se calhar temos de começar a fazer um esforço e começar a traduzir os detalhes da casa...]
Ok, mas ainda assim, encontrámos uma zona em Estocolmo, não muito gira, mas que as casas valiam a pena e dentro do nosso orçamento! Força com o leilão!!
[Nota adicional: os visnings acontecem ao Domingo e por volta de 4ªf/5ªf a seguir, as casas são vendidas, inclusivamente com contrato assinado.]
- 2ªf eramos os unicos licitadores;
- 3ªf apareceram mais uns quantos, mas no final do dia já só eramos 2;
- 4ªf já estava a cansar, por cada licitação que eu fazia o outro licitador fazia uma 5 mins depois, a coisa não se resolvia nem por nada;
- 5ªf ao meio dia fiz mais uma licitação... passou a 1h, 2h, 3h, 4 da tarde e ninguém nos dizia nada... "Querem ver que ganhámos a casa!", disse o V., "Até receber a chamada de confirmação não acredito.", dizia eu.
- 16:45 recebemos a bendita chamada... nem queríamos acreditar, as miudas estavam contentissimas;
- mas havia um problema tínhamos de assinar o contrato hoje... HOJE?!?!? mas é tardissimo, uma hora de caminho, o jantar da meninas... a sério?!?! não pode esperar por amahã??! "Não não pode tem de ser hoje!", dizia-nos a sra da agencia...
- O V. já estava irritadissimo com esta situação toda, mas lá nos íamos preparar para ir assinar o contrato....
- nisto tudo, passado 20 mins recebo um sms com outra licitação e o telefone toca... perdemos a casa...
Este processo todo é uma %&$#&, eu disse às minhas filhas que tínhamos ganho uma casa... que falta de integridade, que falta de honestidade e consideração para com os outros...
[isto foi o que iniciou a "explosão" do V. que referi anteriormente]
Voltámos literalmente à estaca zero!
[Nota adicional: estávamos pressionados pelo tempo, porque tínhamos de sair da casa até ao final de Maio, e verificámos que já não tínhamos assim tanto tempo...]
Numa das visitas, o V. passou por uma zona muito gira e quis-me mostrar a zona... Eu não estava lá muito convencida porque era fora de Estocolmo... fui! A zona é LINDA!!! "V., temos de morar aqui!!", disse-lhe eu.
Passámos por uma casa com a placa vende-se! "Que estranho...", diz o V., "Esta não está no site, vou verificar o que se passa..."
Tivemos sorte!!! Ficou essa a nossa casa :)
Ficam aqui umas fotos (decoração dos anteriores donos)
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Foram meses muito muito stressantes... Mas agora podemos relaxar, e apreciar a NOSSA casa!
Amanhã vamos ter um House Warming... uma coisa muito típica aqui na Suécia!!!
Amanhã vamos ter um House Warming... uma coisa muito típica aqui na Suécia!!!
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Das coisas que mais gosto de fazer é Ler...
Adoro ler!
Adoro segurar num livro e sentir-lhe as páginas, o tipo de papel, as letras impressas...
Adoro ler sobre o autor, as criticas, o resumo, antes de o começar a ler...
Adoro o resistir a ler a última página ainda antes de ter sequer começado o livro...
Adoro ter um livro na mesinha de cabeceira, de o ler antes de adormecer e acordar e ler mais um capítulo [válido apenas ao fim de semana]
Adoro que as minhas filhas já tenham alguns hábitos de leitura. Como dizia uma educadora da M. "Um livro é um amigo!".
Não trouxe a minha "biblioteca", porque não quisemos é um facto! Mas a descoberta das bibliotecas da Suécia superou a falta destes... "amigos".
As bibliotecas existem em bastantes pontos da cidade, sendo sempre fácil encontrar uma.
Estamos na Suécia, e por isso, têm sempre uma área infantil. E não, não é apenas uma mesa com 2 cadeiras e um daqueles brinquedos de empurrar argolas de um lado para o outro, é uma área infantil.
Todas temos o nosso cartão, que as sras bibliotecárias, disseram que fazem questão das crianças terem o seu próprio cartão!
Têm actividades, e publicam-nas no seu facebook para que os leitores saibam sempre o que se passa e possam participar.
Têm språkcafé (muito importante para quem está a aprender sueco!)
E sim, têm livros... muitos livros! E em várias línguas!... E sim em português também ;)
Sempre que lá vamos vimos carregadinhas! E tão felizes!
A biblioteca aqui ao pé da nossa "casa" esteve muito tempo em obras, e reabriu finalmente, quando a fomos visitar voltámos assim:
É uma das muitas coisas que gosto aqui na Suécia: as bibliotecas!
Adoro segurar num livro e sentir-lhe as páginas, o tipo de papel, as letras impressas...
Adoro ler sobre o autor, as criticas, o resumo, antes de o começar a ler...
Adoro o resistir a ler a última página ainda antes de ter sequer começado o livro...
Adoro ter um livro na mesinha de cabeceira, de o ler antes de adormecer e acordar e ler mais um capítulo [válido apenas ao fim de semana]
Adoro que as minhas filhas já tenham alguns hábitos de leitura. Como dizia uma educadora da M. "Um livro é um amigo!".
Não trouxe a minha "biblioteca", porque não quisemos é um facto! Mas a descoberta das bibliotecas da Suécia superou a falta destes... "amigos".
As bibliotecas existem em bastantes pontos da cidade, sendo sempre fácil encontrar uma.
Estamos na Suécia, e por isso, têm sempre uma área infantil. E não, não é apenas uma mesa com 2 cadeiras e um daqueles brinquedos de empurrar argolas de um lado para o outro, é uma área infantil.
Todas temos o nosso cartão, que as sras bibliotecárias, disseram que fazem questão das crianças terem o seu próprio cartão!
Têm actividades, e publicam-nas no seu facebook para que os leitores saibam sempre o que se passa e possam participar.
Têm språkcafé (muito importante para quem está a aprender sueco!)
E sim, têm livros... muitos livros! E em várias línguas!... E sim em português também ;)
Sempre que lá vamos vimos carregadinhas! E tão felizes!
A biblioteca aqui ao pé da nossa "casa" esteve muito tempo em obras, e reabriu finalmente, quando a fomos visitar voltámos assim:
| esquerda: livros da H. / topo: meus / direita: da M. | Os nossos cartões :) |
É uma das muitas coisas que gosto aqui na Suécia: as bibliotecas!
domingo, 16 de março de 2014
Um sueco, um português e um isrealita...
... a falarem sobre os correios.
[A conversa começa entre o português e o isrealita]:
- "Isto de termos de mandar esta documentação por correio é uma chatice!", diz o português.
- "É verdade!", diz o isrealita.
- "Por acaso sabes como se envia uma carta registada aqui na Suécia?", pergunta o português.
- "Pois é, ainda mais essa, tem de ir por carta registada!! Vamos perguntar ao X (sueco)", diz o isrealita.
[Na conversa, é agora envolvido o sueco]:
- "Como é que se envia uma carta registada aqui na Suécia?", pergunta o isrealita ao sueco.
- "Carta registada? Acho que não temos isso... Para que precisam de enviar uma carta registada?", pergunta o sueco com um ar verdadeiramente surpreendido.
- "Para termos um comprovativo de que enviámos a documentação!", responde o português.
- "Comprovativo? Para quê? Os correios entregam sempre as cartas que são metidas no correio! O serviço dos correios é de 99,995% sucesso. As cartas são sempre entregues!", responde o sueco.
- "Então e se fores o 0,005%?", pergunta o português.
- "Ah... nunca tinha pensado nisso... Mas devem-me telefonar a perguntar porque não enviei a documentação.", diz o sueco.
- "E tu o que respondes?", pergunta o isrealita.
- "Que enviei a documentação pelo correio!", responde naturalmente o sueco sem perceber as caras de espanto do português e do isrealita.
- "E eles acreditam?", perguntam os outros dois em simultâneo.
- "Claro! Porque não haveriam de acreditar?!", responde o sueco.
Efectivamente, se todos fizerem a sua parte, claro que se pode confiar no sistema e em todos o que o utilizam.
Só mesmo aqui na Suécia...
[A conversa começa entre o português e o isrealita]:
- "Isto de termos de mandar esta documentação por correio é uma chatice!", diz o português.
- "É verdade!", diz o isrealita.
- "Por acaso sabes como se envia uma carta registada aqui na Suécia?", pergunta o português.
- "Pois é, ainda mais essa, tem de ir por carta registada!! Vamos perguntar ao X (sueco)", diz o isrealita.
[Na conversa, é agora envolvido o sueco]:
- "Como é que se envia uma carta registada aqui na Suécia?", pergunta o isrealita ao sueco.
- "Carta registada? Acho que não temos isso... Para que precisam de enviar uma carta registada?", pergunta o sueco com um ar verdadeiramente surpreendido.
- "Para termos um comprovativo de que enviámos a documentação!", responde o português.
- "Comprovativo? Para quê? Os correios entregam sempre as cartas que são metidas no correio! O serviço dos correios é de 99,995% sucesso. As cartas são sempre entregues!", responde o sueco.
- "Então e se fores o 0,005%?", pergunta o português.
- "Ah... nunca tinha pensado nisso... Mas devem-me telefonar a perguntar porque não enviei a documentação.", diz o sueco.
- "E tu o que respondes?", pergunta o isrealita.
- "Que enviei a documentação pelo correio!", responde naturalmente o sueco sem perceber as caras de espanto do português e do isrealita.
- "E eles acreditam?", perguntam os outros dois em simultâneo.
- "Claro! Porque não haveriam de acreditar?!", responde o sueco.
Efectivamente, se todos fizerem a sua parte, claro que se pode confiar no sistema e em todos o que o utilizam.
Só mesmo aqui na Suécia...
O que temos na Suécia...
- Natureza;
- Parques no centro da cidade;
- Bosques no centro da cidade;
- Quando pára a neve e o frio tudo fica verde...
As pessoas começam a "acordar" para a vida (diz-se por aí que os suecos hibernam no Inverno).
O Sol convida a passear, convida a estar com os amigos, convida a ir para os parques, para os bosques;
para a Natureza...
E lá andamos todos: a passear, as crianças a brincar nos baloiços, nós a estender uma toalha na relva, a apanhar cogumelos, a apanhar folhas, ramos, bolotas, e não só...
[Agora começa uma história verídica]
- "Tenho aqui uma borbulha que me doí imenso", queixa-se a Mãe, durante alguns dias sem, no entanto, lhe dar muita importância.
- "Esta borbulha é mesmo estranha...", queixa-se novamente a Mãe.
- "Ó filha, vê lá esta borbulha à Mãe...", pede a Mãe com ar preocupado.
-"Ó Mãe!! Isso tem patas!"
-"Patas?!? Patas?!?!"
Pois... borbulhas com patas... aqui nas zonas mais verdes da Suécia existem imensas... carraças.
É verdade... é muito comum apanhá-las. De tal forma é comum, que até existe uma vacina contra os seus efeitos secundários. [O que eu acho estranho é não estar no plano oficial sueco...]
Não se stressem e continuem a querer vir a Estocolmo. É bastante comum, e os centros de saúde sabem o que fazer.
Apesar do stress da situação, quis partilhar esta história, porque a expressão "Isto tem patas" vai ficar para sempre guardada nas nossas memórias :))) O que nós nos rimos...
Nota: Publico esta história com autorização da protagonista do sucedido.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Estou tão orgulhosa, mas tão orgulhosa,...
que tenho de partilhar!!
A minha H., com tantas dificuldades em inglês no início e agora já faz composições em inglês!! Estou tãoooooo orgulhosa da minha princesa... ora vejam lá:
"
A minha H., com tantas dificuldades em inglês no início e agora já faz composições em inglês!! Estou tãoooooo orgulhosa da minha princesa... ora vejam lá:
"
If I was invisible
When the day start I would go to school, but I would have a bottle in my bag and then drink it when my mum was away.Then I will do tickles to many people and I will touch a deer and the deer is not going to run away because he couldn’t see me.Then I would go to my dad’s work, and go to my sister’s school to see if she is speaking english.And then I will go to my mum’s work and see if she is speaking swedish.But when it was night i wasn’t invisible but it was very, very FUN.
by H. P.
by H. P.
"
Tradução: [não sei se conseguirei manter os erros gramaticais, mas ficam com uma ideia do texto]
"
Se eu fosse invisível
Quando o dia começar eu iria para a escola, mas eu iria ter uma garrafa na minha mala e depois bebo-a quando a minha mãe não estivesse.
Depois eu irei fazer cócegas a muitas pessoas e eu irei tocar num veado e o veado não vai fugir porque ele não me conseguiria ver.
Depois eu iria ao emprego do meu pai, e vou à escola da minha irmã para ver se ela fala inglês.
E depois eu irei ao trabalho da minha mãe e ver se ela está a falar sueco.
Mas quando fosse noite eu não era invisível mas foi muito, muito DIVERTIDO."
Um doce não está?
E hoje tiveram de fazer uma prova internacional. Uma prova direccionada a todas as escolas internacionais para medir e comparar competências dos alunos em termos de matemática, leitura e escrita.
Foi pedido aos alunos para escreverem uma história a qual teria que conter um gorila. O texto deveria ter no mínimo uma página, e a H., escreveu página e meia... (xiça!!)
Infelizmente não tenho o texto, e não sei se alguma vez terei acesso ao texto, mas fica o resumo que a H. fez do que escreveu:
"Uma menina queria ir ao jardim zoológico, mas ouviu muito barulho. Era um gorila que estava a destruir a cidade mas não destruiu a casa dela porque era amarela.
O pai dela fez magia e transformou o gorila num menino, mas passado uns minutos o menino comeu uma banana e ficou gorila outra vez.
A menina chorou e o gorila disse que gostava de amarelo mas não gostava de bananas. Então a menina disse que ele ia ser um menino que ia gostar de amarelo mas que não ia comer bananas."
["E foi assim que se resolveu a situação", diz a H., sempre que pedimos para ela contar a história.]
["E foi assim que se resolveu a situação", diz a H., sempre que pedimos para ela contar a história.]
Nota adicional: A cor favorita da H. é amarelo e ela não gosta de banana.
Adorámos a história!! Mas mais importante, é que ela está muito mais relaxada e já consegue voltar a imaginar, e estamos a adorar.
Já disse que estou muito orgulhosa da minha H.?!?
É que estou mesmo :)
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
E em plena hora de ponta...
... ia eu e a M. de autocarro buscar a H., quando começa o condutor do autocarro a buzinar...
Ora buzinar é algo que raramente se ouve na Suécia!
Eles apesar de também serem [raramente] "artistas" a conduzir, são bastantes tolerantes, por isso, ouvir buzinar na Suécia é porque algo de grave se passa...
E o condutor buzinava e fazia travagens, digamos um pouco bruscas (o que também não é comum), e num semáforo teve inclusivamente de fazer marcha-a-atrás, o que confesso que para um autocarro "lagarta" me fez um pouco de confusão...
Nisto levanta-se um passageiro, que vai falar com o condutor: "blablabla [på svenska] Holland?", ao qual o condutor responde: "Nej, Portugal!!"
Portugal?!?!??! Não pode ser?!?! Mas era mesmo! O artista que estava a provocar aquela confusão toda com um camião, era de Portugal... :(
Confesso que fiquei envergonhada.
Já sabemos que os 'tugas' são artistas a conduzir, mas podiam fazer um esforço e deixar essas habilidades em Portugal, não?
Ora buzinar é algo que raramente se ouve na Suécia!
Eles apesar de também serem [raramente] "artistas" a conduzir, são bastantes tolerantes, por isso, ouvir buzinar na Suécia é porque algo de grave se passa...
E o condutor buzinava e fazia travagens, digamos um pouco bruscas (o que também não é comum), e num semáforo teve inclusivamente de fazer marcha-a-atrás, o que confesso que para um autocarro "lagarta" me fez um pouco de confusão...
Nisto levanta-se um passageiro, que vai falar com o condutor: "blablabla [på svenska] Holland?", ao qual o condutor responde: "Nej, Portugal!!"
Portugal?!?!??! Não pode ser?!?! Mas era mesmo! O artista que estava a provocar aquela confusão toda com um camião, era de Portugal... :(
Confesso que fiquei envergonhada.
Já sabemos que os 'tugas' são artistas a conduzir, mas podiam fazer um esforço e deixar essas habilidades em Portugal, não?
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