quinta-feira, 3 de abril de 2014

Das coisas que mais gosto de fazer é Ler...

Adoro ler!
Adoro segurar num livro e sentir-lhe as páginas, o tipo de papel, as letras impressas...
Adoro ler sobre o autor, as criticas, o resumo, antes de o começar a ler...
Adoro o resistir a ler a última página ainda antes de ter sequer começado o livro...
Adoro ter um livro na mesinha de cabeceira, de o ler antes de adormecer e acordar e ler mais um capítulo [válido apenas ao fim de semana]

Adoro que as minhas filhas já tenham alguns hábitos de leitura. Como dizia uma educadora da M. "Um livro é um amigo!".

Não trouxe a minha "biblioteca", porque não quisemos é um facto! Mas a descoberta das bibliotecas da Suécia superou a falta destes... "amigos".

As bibliotecas existem em bastantes pontos da cidade, sendo sempre fácil encontrar uma.
Estamos na Suécia, e por isso, têm sempre uma área infantil. E não, não é apenas uma mesa com 2 cadeiras e um daqueles brinquedos de empurrar argolas de um lado para o outro, é uma área infantil.
Todas temos o nosso cartão, que as sras bibliotecárias, disseram que fazem questão das crianças terem o seu próprio cartão!
Têm actividades, e publicam-nas no seu facebook para que os leitores saibam sempre o que se passa e possam participar.
Têm språkcafé (muito importante para quem está a aprender sueco!)
E sim, têm livros... muitos livros! E em várias línguas!... E sim em português também ;)

Sempre que lá vamos vimos carregadinhas! E tão felizes!

A biblioteca aqui ao pé da nossa "casa" esteve muito tempo em obras, e reabriu finalmente, quando a fomos visitar voltámos assim:

     esquerda: livros da H. / topo: meus / direita: da M.
     Os nossos cartões :)

É uma das muitas coisas que gosto aqui na Suécia: as bibliotecas!


domingo, 16 de março de 2014

Um sueco, um português e um isrealita...

... a falarem sobre os correios.

[A conversa começa entre o português e o isrealita]:
- "Isto de termos de mandar esta documentação por correio é uma chatice!", diz o português.
- "É verdade!", diz o isrealita.
- "Por acaso sabes como se envia uma carta registada aqui na Suécia?", pergunta o português.
- "Pois é, ainda mais essa, tem de ir por carta registada!! Vamos perguntar ao X (sueco)", diz o isrealita.

[Na conversa, é agora envolvido o sueco]:
- "Como é que se envia uma carta registada aqui na Suécia?", pergunta o isrealita ao sueco.
- "Carta registada? Acho que não temos isso... Para que precisam de enviar uma carta registada?", pergunta o sueco com um ar verdadeiramente surpreendido.
- "Para termos um comprovativo de que enviámos a documentação!", responde o português.
- "Comprovativo? Para quê? Os correios entregam sempre as cartas que são metidas no correio! O serviço dos correios é de 99,995% sucesso. As cartas são sempre entregues!", responde o sueco.
- "Então e se fores o 0,005%?", pergunta o português.
- "Ah... nunca tinha pensado nisso... Mas devem-me telefonar a perguntar porque não enviei a documentação.", diz o sueco.
- "E tu o que respondes?", pergunta o isrealita.
- "Que enviei a documentação pelo correio!", responde naturalmente o sueco sem perceber as caras de espanto do português e do isrealita.
- "E eles acreditam?", perguntam os outros dois em simultâneo.
- "Claro! Porque não haveriam de acreditar?!", responde o sueco.

Efectivamente, se todos fizerem a sua parte, claro que se pode confiar no sistema e em todos o que o utilizam.

Só mesmo aqui na Suécia...


O que temos na Suécia...


  • Natureza;
  • Parques no centro da cidade;
  • Bosques no centro da cidade;
  • Quando pára a neve e o frio tudo fica verde...

As pessoas começam a "acordar" para a vida (diz-se por aí que os suecos hibernam no Inverno).
O Sol convida a passear, convida a estar com os amigos, convida a ir para os parques, para os bosques;
para a Natureza...

E lá andamos todos: a passear, as crianças a brincar nos baloiços, nós a estender uma toalha na relva, a apanhar cogumelos, a apanhar folhas, ramos, bolotas, e não só...

[Agora começa uma história verídica]
- "Tenho aqui uma borbulha que me doí imenso", queixa-se a Mãe, durante alguns dias sem, no entanto, lhe dar muita importância.
- "Esta borbulha é mesmo estranha...", queixa-se novamente a Mãe.
- "Ó filha, vê lá esta borbulha à Mãe...", pede a Mãe com ar preocupado.
-"Ó Mãe!! Isso tem patas!"
-"Patas?!? Patas?!?!"

Pois... borbulhas com patas... aqui nas zonas mais verdes da Suécia existem imensas... carraças.
É verdade... é muito comum apanhá-las. De tal forma é comum, que até existe uma vacina contra os seus efeitos secundários. [O que eu acho estranho é não estar no plano oficial sueco...]

Não se stressem e continuem a querer vir a Estocolmo. É bastante comum, e os centros de saúde sabem o que fazer.

Apesar do stress da situação, quis partilhar esta história, porque a expressão "Isto tem patas" vai ficar para sempre guardada nas nossas memórias :))) O que nós nos rimos...

Nota: Publico esta história com autorização da protagonista do sucedido.


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Estou tão orgulhosa, mas tão orgulhosa,...

que tenho de partilhar!!

A minha H., com tantas dificuldades em inglês no início e agora já faz composições em inglês!! Estou tãoooooo orgulhosa da minha princesa... ora vejam lá:

"
If I was invisible

When the day start  I would go to school,  but I would have a bottle in my bag and then drink it when my mum was away.Then I will do tickles to many people and I will touch a  deer and the deer is not going to run away because he couldn’t see me.Then I would go to my dad’s work, and go to my sister’s school to see if she is  speaking english.And then I will go to my mum’s work and see if she is speaking swedish.But when it was night i wasn’t invisible but it was very, very FUN.


by H. P.


"
Tradução: [não sei se conseguirei manter os erros gramaticais, mas ficam com uma ideia do texto]
"
Se eu fosse invisível
Quando o dia começar eu iria para a escola, mas eu iria ter uma garrafa na minha mala e depois bebo-a quando a minha mãe não estivesse.
Depois eu irei fazer cócegas a muitas pessoas e eu irei tocar num veado e o veado não vai fugir porque ele não me conseguiria ver.
Depois eu iria ao emprego do meu pai, e vou à escola da minha irmã para ver se ela fala inglês.
E depois eu irei ao trabalho da minha mãe e ver se ela está a falar sueco.
Mas quando fosse noite eu não era invisível mas foi muito, muito DIVERTIDO."

Um doce não está?

E hoje tiveram de fazer uma prova internacional. Uma prova direccionada a todas as escolas internacionais para medir e comparar competências dos alunos em termos de matemática, leitura e escrita.

Foi pedido aos alunos para escreverem uma história a qual teria que conter um gorila. O texto deveria ter no mínimo uma página, e a H., escreveu página e meia... (xiça!!)

Infelizmente não tenho o texto, e não sei se alguma vez terei acesso ao texto, mas fica o resumo que a H. fez do que escreveu:

"Uma menina queria ir ao jardim zoológico, mas ouviu muito barulho. Era um gorila que estava a destruir a cidade mas não destruiu a casa dela porque era amarela.
O pai dela fez magia e transformou o gorila num menino, mas passado uns minutos o menino comeu uma banana e ficou gorila outra vez.
A menina chorou e o gorila disse que gostava de amarelo mas não gostava de bananas. Então a menina disse que ele ia ser um menino que ia gostar de amarelo mas que não ia comer bananas."

["E foi assim que se resolveu a situação", diz a H., sempre que pedimos para ela contar a história.]

Nota adicional: A cor favorita da H. é amarelo e ela não gosta de banana.

Adorámos a história!! Mas mais importante, é que ela está muito mais relaxada e já consegue voltar a imaginar, e estamos a adorar.

Já disse que estou muito orgulhosa da minha H.?!?
É que estou mesmo :)


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

E em plena hora de ponta...

... ia eu e a M. de autocarro buscar a H., quando começa o condutor do autocarro a buzinar...
Ora buzinar é algo que raramente se ouve na Suécia!

Eles apesar de também serem [raramente] "artistas" a conduzir, são bastantes tolerantes, por isso, ouvir buzinar na Suécia é porque algo de grave se passa...

E o condutor buzinava e fazia travagens, digamos um pouco bruscas (o que também não é comum), e num semáforo teve inclusivamente de fazer marcha-a-atrás, o que confesso que para um autocarro "lagarta" me fez um pouco de confusão...

Nisto levanta-se um passageiro, que vai falar com o condutor: "blablabla [på svenska] Holland?", ao qual o condutor responde: "Nej, Portugal!!"

Portugal?!?!??! Não pode ser?!?! Mas era mesmo! O artista que estava a provocar aquela confusão toda com um camião, era de Portugal... :(

Confesso que fiquei envergonhada.

Já sabemos que os 'tugas' são artistas a conduzir, mas podiam fazer um esforço e deixar essas habilidades em Portugal, não?


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Mas quem é que manda!??!

A H. e os dentes.
Nasceram tarde os de leite, tarde chegam os definitivos.

Estão a cair os de leite mas a um ritmo tããããõooo lentoooo...

O pior é quando o dente de leite abana e não cai, o definitivo começa a nascer e o de leite não cai...

- "Deixa o pai ver...";
-"Não! Já sei o que vais fazer. Só deixava arrancar se fosse a avó..."
- "Mas eu não quero fazer nada, só quero ver!"
- "Nãããõooooo"
e lá ficou o dente...

abanar abanava, mas não caía...

Como os dentistas para as crianças são grátis aqui na Suécia, marcámos a consulta... Preparámos a H... "vai ser com spray", "não vais sentir nada", "blá blá blá".

No dia da consulta (marcada para as 8:15... e desconfio que não fomos as primeiras), lá fomos nós e com algum nervosismo a acompanhar-nos...

Já conhecíamos o dentista, simpático, conversa agradável, tirou uns raio-X... e analisou os dentes. A H. começou a perguntar o que vai acontecer, o que vai acontecer, e o dentista diz: "Querida, só te arranco o dente se tu quiseres...". "O quê?", pergunto eu.

Muito calmamente, o dentista explica-me que na Suécia, eles não forçam a criança a fazer algo que não querem. "O quê?", pergunto eu, "Dê um empurrão no dente!!!", e muito calmamente, o dentista explica-me que na Suécia, eles não forçam a criança a fazer algo que não querem. A H. levanta-se toda contente, vai escolher a sua escova de dentes e o seu brinquedo e dá-nos o seu melhor sorriso...

O dentista lá me explica que o dente não tem raiz, que em menos de um mês irá certamente cair, que não está a prejudicar o dente que está a nascer nem o resto da dentição...

Eu nem queria acreditar!!!
- 8:15 da manhã
- o stress em cima da H.
e eles não arrancam o dente porque a criança não quer...

Mas desde quando é que as crianças decidem!??!
Mas afinal quem manda?!?!

Aqui na Suécia são efectivamente as crianças... O que fará na sua personalidade? [Alguns artigos têm sido escritos, mas não irei abordar esse tema neste post!]

Em relação ao dente, espero mesmo que caia... ou será que temos de esperar pela visita da avó?


E depois de um começo tão difícil... 90%

Tanta lágrima derramada...
Tantas dúvidas que tivemos...
Tão difícil o início, a adaptação...

Apesar de todos nos dizerem para darmos tempo ao tempo, que no Natal as coisas já iriam estar diferentes... o tempo demorava a passar e os resultados teimavam em não acontecer...

[Por falar em teimar, a situação só se arrastou mais ainda devido à existência de uma grande camada de teimosia e resistência!]

Teimosia, resistência, preguiça, o mundo inteiro contra... tantos factores, todos contra apenas uma criança de 8 anos...

A verdade é que esses tempos passaram..., e a confiança e a alegria da H. voltaram!
- Já tem amigas,
- Já tem alegria quando vai para a escola! Ela que sempre adorou ir para a escola.

A habilidade de comunicar é algo de facto muito importante para um ser humano, e assim que a H. percebeu, que a conseguiam perceber e que conseguia perceber os outros, tudo mudou.

Quando fomos a Portugal estar com a família e com os amigos, receber todo aquele amor, carinho..., e os elogios... reforçou ainda mais a sua autoconfiança, e a forma como viu esta mudança na sua vida.

Quem a viu e quem a vê.

A verdade é que agora já não é uma tortura fazer os trabalhos de casa:
- as spelling words passaram de 15 para 20, e quase que já não é preciso o nosso auxílio, na sua preparação.
- Ok, a leitura do livro do período consome-nos ainda algum tempo, dado que os factores T e P (teimosia e preguiça) já estão intrínsecos na sua personalidade;
- até já tem disciplinas preferidas.

Neste momento, a sua energia já não é totalmente gasta a lamentar-se, o que lhe permite ser a aluna que era...
E o resultado viu-se no teste de matemática que fez hoje (e que já recebeu corrigido): 90%?!!?... 90%?!!? Sim H., podes jogar tablet a noite toda, e resmungar do que quiseres, e ainda comer um chocolatinho... estamos muito muito orgulhosos de ti... adoramos-te, e sabíamos que ias ser capaz!

Para ti H.