domingo, 16 de março de 2014

Um sueco, um português e um isrealita...

... a falarem sobre os correios.

[A conversa começa entre o português e o isrealita]:
- "Isto de termos de mandar esta documentação por correio é uma chatice!", diz o português.
- "É verdade!", diz o isrealita.
- "Por acaso sabes como se envia uma carta registada aqui na Suécia?", pergunta o português.
- "Pois é, ainda mais essa, tem de ir por carta registada!! Vamos perguntar ao X (sueco)", diz o isrealita.

[Na conversa, é agora envolvido o sueco]:
- "Como é que se envia uma carta registada aqui na Suécia?", pergunta o isrealita ao sueco.
- "Carta registada? Acho que não temos isso... Para que precisam de enviar uma carta registada?", pergunta o sueco com um ar verdadeiramente surpreendido.
- "Para termos um comprovativo de que enviámos a documentação!", responde o português.
- "Comprovativo? Para quê? Os correios entregam sempre as cartas que são metidas no correio! O serviço dos correios é de 99,995% sucesso. As cartas são sempre entregues!", responde o sueco.
- "Então e se fores o 0,005%?", pergunta o português.
- "Ah... nunca tinha pensado nisso... Mas devem-me telefonar a perguntar porque não enviei a documentação.", diz o sueco.
- "E tu o que respondes?", pergunta o isrealita.
- "Que enviei a documentação pelo correio!", responde naturalmente o sueco sem perceber as caras de espanto do português e do isrealita.
- "E eles acreditam?", perguntam os outros dois em simultâneo.
- "Claro! Porque não haveriam de acreditar?!", responde o sueco.

Efectivamente, se todos fizerem a sua parte, claro que se pode confiar no sistema e em todos o que o utilizam.

Só mesmo aqui na Suécia...


O que temos na Suécia...


  • Natureza;
  • Parques no centro da cidade;
  • Bosques no centro da cidade;
  • Quando pára a neve e o frio tudo fica verde...

As pessoas começam a "acordar" para a vida (diz-se por aí que os suecos hibernam no Inverno).
O Sol convida a passear, convida a estar com os amigos, convida a ir para os parques, para os bosques;
para a Natureza...

E lá andamos todos: a passear, as crianças a brincar nos baloiços, nós a estender uma toalha na relva, a apanhar cogumelos, a apanhar folhas, ramos, bolotas, e não só...

[Agora começa uma história verídica]
- "Tenho aqui uma borbulha que me doí imenso", queixa-se a Mãe, durante alguns dias sem, no entanto, lhe dar muita importância.
- "Esta borbulha é mesmo estranha...", queixa-se novamente a Mãe.
- "Ó filha, vê lá esta borbulha à Mãe...", pede a Mãe com ar preocupado.
-"Ó Mãe!! Isso tem patas!"
-"Patas?!? Patas?!?!"

Pois... borbulhas com patas... aqui nas zonas mais verdes da Suécia existem imensas... carraças.
É verdade... é muito comum apanhá-las. De tal forma é comum, que até existe uma vacina contra os seus efeitos secundários. [O que eu acho estranho é não estar no plano oficial sueco...]

Não se stressem e continuem a querer vir a Estocolmo. É bastante comum, e os centros de saúde sabem o que fazer.

Apesar do stress da situação, quis partilhar esta história, porque a expressão "Isto tem patas" vai ficar para sempre guardada nas nossas memórias :))) O que nós nos rimos...

Nota: Publico esta história com autorização da protagonista do sucedido.


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Estou tão orgulhosa, mas tão orgulhosa,...

que tenho de partilhar!!

A minha H., com tantas dificuldades em inglês no início e agora já faz composições em inglês!! Estou tãoooooo orgulhosa da minha princesa... ora vejam lá:

"
If I was invisible

When the day start  I would go to school,  but I would have a bottle in my bag and then drink it when my mum was away.Then I will do tickles to many people and I will touch a  deer and the deer is not going to run away because he couldn’t see me.Then I would go to my dad’s work, and go to my sister’s school to see if she is  speaking english.And then I will go to my mum’s work and see if she is speaking swedish.But when it was night i wasn’t invisible but it was very, very FUN.


by H. P.


"
Tradução: [não sei se conseguirei manter os erros gramaticais, mas ficam com uma ideia do texto]
"
Se eu fosse invisível
Quando o dia começar eu iria para a escola, mas eu iria ter uma garrafa na minha mala e depois bebo-a quando a minha mãe não estivesse.
Depois eu irei fazer cócegas a muitas pessoas e eu irei tocar num veado e o veado não vai fugir porque ele não me conseguiria ver.
Depois eu iria ao emprego do meu pai, e vou à escola da minha irmã para ver se ela fala inglês.
E depois eu irei ao trabalho da minha mãe e ver se ela está a falar sueco.
Mas quando fosse noite eu não era invisível mas foi muito, muito DIVERTIDO."

Um doce não está?

E hoje tiveram de fazer uma prova internacional. Uma prova direccionada a todas as escolas internacionais para medir e comparar competências dos alunos em termos de matemática, leitura e escrita.

Foi pedido aos alunos para escreverem uma história a qual teria que conter um gorila. O texto deveria ter no mínimo uma página, e a H., escreveu página e meia... (xiça!!)

Infelizmente não tenho o texto, e não sei se alguma vez terei acesso ao texto, mas fica o resumo que a H. fez do que escreveu:

"Uma menina queria ir ao jardim zoológico, mas ouviu muito barulho. Era um gorila que estava a destruir a cidade mas não destruiu a casa dela porque era amarela.
O pai dela fez magia e transformou o gorila num menino, mas passado uns minutos o menino comeu uma banana e ficou gorila outra vez.
A menina chorou e o gorila disse que gostava de amarelo mas não gostava de bananas. Então a menina disse que ele ia ser um menino que ia gostar de amarelo mas que não ia comer bananas."

["E foi assim que se resolveu a situação", diz a H., sempre que pedimos para ela contar a história.]

Nota adicional: A cor favorita da H. é amarelo e ela não gosta de banana.

Adorámos a história!! Mas mais importante, é que ela está muito mais relaxada e já consegue voltar a imaginar, e estamos a adorar.

Já disse que estou muito orgulhosa da minha H.?!?
É que estou mesmo :)


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

E em plena hora de ponta...

... ia eu e a M. de autocarro buscar a H., quando começa o condutor do autocarro a buzinar...
Ora buzinar é algo que raramente se ouve na Suécia!

Eles apesar de também serem [raramente] "artistas" a conduzir, são bastantes tolerantes, por isso, ouvir buzinar na Suécia é porque algo de grave se passa...

E o condutor buzinava e fazia travagens, digamos um pouco bruscas (o que também não é comum), e num semáforo teve inclusivamente de fazer marcha-a-atrás, o que confesso que para um autocarro "lagarta" me fez um pouco de confusão...

Nisto levanta-se um passageiro, que vai falar com o condutor: "blablabla [på svenska] Holland?", ao qual o condutor responde: "Nej, Portugal!!"

Portugal?!?!??! Não pode ser?!?! Mas era mesmo! O artista que estava a provocar aquela confusão toda com um camião, era de Portugal... :(

Confesso que fiquei envergonhada.

Já sabemos que os 'tugas' são artistas a conduzir, mas podiam fazer um esforço e deixar essas habilidades em Portugal, não?


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Mas quem é que manda!??!

A H. e os dentes.
Nasceram tarde os de leite, tarde chegam os definitivos.

Estão a cair os de leite mas a um ritmo tããããõooo lentoooo...

O pior é quando o dente de leite abana e não cai, o definitivo começa a nascer e o de leite não cai...

- "Deixa o pai ver...";
-"Não! Já sei o que vais fazer. Só deixava arrancar se fosse a avó..."
- "Mas eu não quero fazer nada, só quero ver!"
- "Nãããõooooo"
e lá ficou o dente...

abanar abanava, mas não caía...

Como os dentistas para as crianças são grátis aqui na Suécia, marcámos a consulta... Preparámos a H... "vai ser com spray", "não vais sentir nada", "blá blá blá".

No dia da consulta (marcada para as 8:15... e desconfio que não fomos as primeiras), lá fomos nós e com algum nervosismo a acompanhar-nos...

Já conhecíamos o dentista, simpático, conversa agradável, tirou uns raio-X... e analisou os dentes. A H. começou a perguntar o que vai acontecer, o que vai acontecer, e o dentista diz: "Querida, só te arranco o dente se tu quiseres...". "O quê?", pergunto eu.

Muito calmamente, o dentista explica-me que na Suécia, eles não forçam a criança a fazer algo que não querem. "O quê?", pergunto eu, "Dê um empurrão no dente!!!", e muito calmamente, o dentista explica-me que na Suécia, eles não forçam a criança a fazer algo que não querem. A H. levanta-se toda contente, vai escolher a sua escova de dentes e o seu brinquedo e dá-nos o seu melhor sorriso...

O dentista lá me explica que o dente não tem raiz, que em menos de um mês irá certamente cair, que não está a prejudicar o dente que está a nascer nem o resto da dentição...

Eu nem queria acreditar!!!
- 8:15 da manhã
- o stress em cima da H.
e eles não arrancam o dente porque a criança não quer...

Mas desde quando é que as crianças decidem!??!
Mas afinal quem manda?!?!

Aqui na Suécia são efectivamente as crianças... O que fará na sua personalidade? [Alguns artigos têm sido escritos, mas não irei abordar esse tema neste post!]

Em relação ao dente, espero mesmo que caia... ou será que temos de esperar pela visita da avó?


E depois de um começo tão difícil... 90%

Tanta lágrima derramada...
Tantas dúvidas que tivemos...
Tão difícil o início, a adaptação...

Apesar de todos nos dizerem para darmos tempo ao tempo, que no Natal as coisas já iriam estar diferentes... o tempo demorava a passar e os resultados teimavam em não acontecer...

[Por falar em teimar, a situação só se arrastou mais ainda devido à existência de uma grande camada de teimosia e resistência!]

Teimosia, resistência, preguiça, o mundo inteiro contra... tantos factores, todos contra apenas uma criança de 8 anos...

A verdade é que esses tempos passaram..., e a confiança e a alegria da H. voltaram!
- Já tem amigas,
- Já tem alegria quando vai para a escola! Ela que sempre adorou ir para a escola.

A habilidade de comunicar é algo de facto muito importante para um ser humano, e assim que a H. percebeu, que a conseguiam perceber e que conseguia perceber os outros, tudo mudou.

Quando fomos a Portugal estar com a família e com os amigos, receber todo aquele amor, carinho..., e os elogios... reforçou ainda mais a sua autoconfiança, e a forma como viu esta mudança na sua vida.

Quem a viu e quem a vê.

A verdade é que agora já não é uma tortura fazer os trabalhos de casa:
- as spelling words passaram de 15 para 20, e quase que já não é preciso o nosso auxílio, na sua preparação.
- Ok, a leitura do livro do período consome-nos ainda algum tempo, dado que os factores T e P (teimosia e preguiça) já estão intrínsecos na sua personalidade;
- até já tem disciplinas preferidas.

Neste momento, a sua energia já não é totalmente gasta a lamentar-se, o que lhe permite ser a aluna que era...
E o resultado viu-se no teste de matemática que fez hoje (e que já recebeu corrigido): 90%?!!?... 90%?!!? Sim H., podes jogar tablet a noite toda, e resmungar do que quiseres, e ainda comer um chocolatinho... estamos muito muito orgulhosos de ti... adoramos-te, e sabíamos que ias ser capaz!

Para ti H.



domingo, 12 de janeiro de 2014

O Natal em Portugal

Foi tão bom, mas mesmo mesmo bom...

1. A antecipação:
Toda a preparação das malas, da verificação e reverificação das nossas listas, aumenta a nossa ansiedade e expectactiva. Parece que já estamos a viajar sem ainda termos iniciado a nossa jornada.

2. A noite antes da viagem:
A mais difícil de todas! Será que vamos conseguir adormecer, "é melhor adormecermos o mais rápido possível, porque assim o amanhã chega mais rápido", dizemos nós.
Estamos tão ansiosos que as malas ficaram prontas no dia anterior ao da viagem... verdade seja dita, que não temos assim tanta coisa para levar, o mesmo já não se poderá dizer do que queríamos trazer...

3. O dia da viagem:
Prontissimos!! E muito antes da hora prevista!!
Mais vale mesmo sairmos já, assim excusamos de ter de levar com o "quando é que saímos?", "já está na hora?"
Pernas ao caminho que já só queremos é chegar a Portugal.
A viagem de avião foi longa, mas só por sabermos que íamos para Portugal, ninguém se queixou... fossem todas assim...

4. A chegada:
Prometo que não vou chorar..., prometo que não vou chorar...
Sniffffffffff, não aguentei, avós, tios e primos à nossa espera?! A emoção foi demais!!
Estavamos tao contentes, mesmo mesmo felizes!!!
Agora é aproveitarrrrrr!!!

5. Família:
Tínhamos tantas saudades da  nossa família, abraços e beijinhos houve muitos, mesmo muitos.
Apesar de ter passado "pouco" tempo, só quando chegámos nos apercebermos quantas saudades já realmente tínhamos.
Saudade, palavra bem bonita e com tanto sentimento.

6. A nossa casa:
É um facto que estamos bem  onde estamos, mas a nossa casa... as nossas coisas... as nossas memórias...
Soube-nos tão bem, estar na nossa casa.
Claro que o frio... belo do isolamento mal feito, que nos faz também ouvir todos os barulhinhos dos outros apartamentos eram dispensados.
Mas a verdade é que já tinhamos saudades de estar na nossa casinha.
A inexistência de operador de tv, fez-nos ter belos serões de conversa e apreciação de cada pormenor da nossa casa.

7. Amigos:
Até tínhamos uma lista! Ah pois que não queríamos deixar ninguém de fora. E conseguimos estar com todos. Novidades, partilhas, e mais saudades.
Foi tão bom! E verdade seja dita, estive com amigos que já não via há mais de um ano. A saudade de emigrante leva-nos a querer estar com os amigos. Antes assim, pois estivemos com todos os que queríamos mesmo estar...
Até para a H. fizemos uma lista, pois que ela tratou de nos lembrar que também ela queria estar com as suas amigas. A amizade não tem idade para começar, e no caso dela começou bem cedo e está para ficar. Os dias passavam e não ia ser possível estar com todas, resolvemos a questão com uma festa para as miúdas do "costume". Diversão garantida.

8. Petiscos:
E foi com cada um. Almoços, jantares, lanches, saboreámos tudo. Todos os nossos pedidos foram atendidos.
Quando fomos a casa da avó M. e a H. pergunta: "Avó, puseste farinheira na tua feijoada?", "Não, pensava que não gostavas de farinheira..." responde a avó M., quando a tampa da panela se levanta e só se vê farinheira... "Avóóóóóóóó!!!!"
As castanhas assadas deviam ter sido em Novembro, mas tinha de ir à baixa comer castanhas ;)

9. Natal:
A minha época favorita... Gosto mais do Natal do que de fazer anos.
A árvore de Natal, o presépio com o cheirinho a musgo, as luzes, o sol, a chuva, as filhozes, e os torcidos, a mousse de chocolate, o belo do bacalhau cozido, tanta coisa boa.
A família reunida, é a melhor parte!! É uma época intensa e cheia de Amor!

Os dias foram passando, e a sensação de bem estar, de estarmos de férias descansados, de estarmos a aproveitar cada minuto, cada momento, persistia.

Tivemos mais férias neste período de Natal do que quando estivemos de férias de Verão... E sem o stress dos preparativos de uma viagem para o "desconhecido".
O stress que tivemos agora, foi se iriamos conseguir colocar nas 4 malas tudo o que estava na nossa lista (lista essa que começou a ser feita no primeiro dia que aterrámos na Suécia)... claro que não coube tudo o que queríamos, mas conseguimos trazer grande parte :)

10. O regresso:
Isto de ser emigrante não é mesmo nada fácil... virmos embora quando estavamos tão bem.
Mas férias são férias...
E o regresso não foi assim tão dificil, todos sabíamos que iríamos voltar, já sabíamos o que nos esperava, já não foi uma viagem rumo ao desconhecido.
Despedidas rápidas, para não termos surpresas e lá fomos nós... a verdade é que temos uma segunda família na Suécia que também nos acarinha e de quem sentimos falta.

Ainda em viagem e encontramos um casal que conhecemos aqui, e mais um outro casal que também está na Suécia desde Agosto... mundo pequenino este.

Não saímos de Portugal sem antes termos marcado a viagem de visita dos nossos avós: 04Abril (já estamos a contar os dias). Ficámos 4 meses sem visitas, mas agora só vamos ter de esperar 2,5 meses... Estamos tão contentes, falta pouquinho.

Estamos contentes por estar aqui, e por termos tomado esta decisão, mas o Natal foi tão bommmmmmmmm...