domingo, 12 de janeiro de 2014

O Natal em Portugal

Foi tão bom, mas mesmo mesmo bom...

1. A antecipação:
Toda a preparação das malas, da verificação e reverificação das nossas listas, aumenta a nossa ansiedade e expectactiva. Parece que já estamos a viajar sem ainda termos iniciado a nossa jornada.

2. A noite antes da viagem:
A mais difícil de todas! Será que vamos conseguir adormecer, "é melhor adormecermos o mais rápido possível, porque assim o amanhã chega mais rápido", dizemos nós.
Estamos tão ansiosos que as malas ficaram prontas no dia anterior ao da viagem... verdade seja dita, que não temos assim tanta coisa para levar, o mesmo já não se poderá dizer do que queríamos trazer...

3. O dia da viagem:
Prontissimos!! E muito antes da hora prevista!!
Mais vale mesmo sairmos já, assim excusamos de ter de levar com o "quando é que saímos?", "já está na hora?"
Pernas ao caminho que já só queremos é chegar a Portugal.
A viagem de avião foi longa, mas só por sabermos que íamos para Portugal, ninguém se queixou... fossem todas assim...

4. A chegada:
Prometo que não vou chorar..., prometo que não vou chorar...
Sniffffffffff, não aguentei, avós, tios e primos à nossa espera?! A emoção foi demais!!
Estavamos tao contentes, mesmo mesmo felizes!!!
Agora é aproveitarrrrrr!!!

5. Família:
Tínhamos tantas saudades da  nossa família, abraços e beijinhos houve muitos, mesmo muitos.
Apesar de ter passado "pouco" tempo, só quando chegámos nos apercebermos quantas saudades já realmente tínhamos.
Saudade, palavra bem bonita e com tanto sentimento.

6. A nossa casa:
É um facto que estamos bem  onde estamos, mas a nossa casa... as nossas coisas... as nossas memórias...
Soube-nos tão bem, estar na nossa casa.
Claro que o frio... belo do isolamento mal feito, que nos faz também ouvir todos os barulhinhos dos outros apartamentos eram dispensados.
Mas a verdade é que já tinhamos saudades de estar na nossa casinha.
A inexistência de operador de tv, fez-nos ter belos serões de conversa e apreciação de cada pormenor da nossa casa.

7. Amigos:
Até tínhamos uma lista! Ah pois que não queríamos deixar ninguém de fora. E conseguimos estar com todos. Novidades, partilhas, e mais saudades.
Foi tão bom! E verdade seja dita, estive com amigos que já não via há mais de um ano. A saudade de emigrante leva-nos a querer estar com os amigos. Antes assim, pois estivemos com todos os que queríamos mesmo estar...
Até para a H. fizemos uma lista, pois que ela tratou de nos lembrar que também ela queria estar com as suas amigas. A amizade não tem idade para começar, e no caso dela começou bem cedo e está para ficar. Os dias passavam e não ia ser possível estar com todas, resolvemos a questão com uma festa para as miúdas do "costume". Diversão garantida.

8. Petiscos:
E foi com cada um. Almoços, jantares, lanches, saboreámos tudo. Todos os nossos pedidos foram atendidos.
Quando fomos a casa da avó M. e a H. pergunta: "Avó, puseste farinheira na tua feijoada?", "Não, pensava que não gostavas de farinheira..." responde a avó M., quando a tampa da panela se levanta e só se vê farinheira... "Avóóóóóóóó!!!!"
As castanhas assadas deviam ter sido em Novembro, mas tinha de ir à baixa comer castanhas ;)

9. Natal:
A minha época favorita... Gosto mais do Natal do que de fazer anos.
A árvore de Natal, o presépio com o cheirinho a musgo, as luzes, o sol, a chuva, as filhozes, e os torcidos, a mousse de chocolate, o belo do bacalhau cozido, tanta coisa boa.
A família reunida, é a melhor parte!! É uma época intensa e cheia de Amor!

Os dias foram passando, e a sensação de bem estar, de estarmos de férias descansados, de estarmos a aproveitar cada minuto, cada momento, persistia.

Tivemos mais férias neste período de Natal do que quando estivemos de férias de Verão... E sem o stress dos preparativos de uma viagem para o "desconhecido".
O stress que tivemos agora, foi se iriamos conseguir colocar nas 4 malas tudo o que estava na nossa lista (lista essa que começou a ser feita no primeiro dia que aterrámos na Suécia)... claro que não coube tudo o que queríamos, mas conseguimos trazer grande parte :)

10. O regresso:
Isto de ser emigrante não é mesmo nada fácil... virmos embora quando estavamos tão bem.
Mas férias são férias...
E o regresso não foi assim tão dificil, todos sabíamos que iríamos voltar, já sabíamos o que nos esperava, já não foi uma viagem rumo ao desconhecido.
Despedidas rápidas, para não termos surpresas e lá fomos nós... a verdade é que temos uma segunda família na Suécia que também nos acarinha e de quem sentimos falta.

Ainda em viagem e encontramos um casal que conhecemos aqui, e mais um outro casal que também está na Suécia desde Agosto... mundo pequenino este.

Não saímos de Portugal sem antes termos marcado a viagem de visita dos nossos avós: 04Abril (já estamos a contar os dias). Ficámos 4 meses sem visitas, mas agora só vamos ter de esperar 2,5 meses... Estamos tão contentes, falta pouquinho.

Estamos contentes por estar aqui, e por termos tomado esta decisão, mas o Natal foi tão bommmmmmmmm...


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

São génios ou têm apenas 8 anos? (cont.)

E porque ontem morreu um grande Homem, a aula de hoje da H., foi passada a fazer um trabalho em grupo sobre Nelson Mandela.

Faz sentido!

Eles assim aprendem quem foi e o que fez Nelson Mandela.
E apesar da sua tenra idade eles vão lembrar-se de quem foi este Homem.
E no futuro, quando virem ou lerem um qualquer documentário sobre a sua vida, eles vão ter interesse em saber mais, porque não lhes é alguém desconhecido.

Sim, faz sentido!

RIP, you'll always be remembered [1918-2013]

In Mandela's own words [11 inspiring quotes from Mandela]


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

São génios ou têm apenas 8 anos?

Eh pá! (sei que não se deve utilizar esta expressão), mas bolas, já chega de trabalhos de casa durante todas as semanas!!!

A H. teve um início muito difícil, com tudo o que tinha de aprender relativamente às matéria dadas na 3ª classe ainda tinha de estudar e praticar para aprender a falar inglês. O início foi difícil mas agora podemos respirar, a H. está mais descontraída, pois já consegue comunicar com os seus colegas, pode ainda não acompanhar uma aula a 100% mas pelo menos já entende o que se passa à sua volta. Nota-se uma grande diferença na H. e para nossa satisfação já fala inglês.

Desde o início do ano lectivo, que na 3ª classe sempre houve uns projectos a apresentar no final de cada semana, e nós com mais ou menos conteúdo lá preparávamos (em conjunto com a H.) o projecto de forma a que a H. entendesse o seu conteúdo e objectivo.

Depois vieram as sight word: lista de 15 palavras que no final da semana a professora ditava para verificar quem as escrevia correctamente. Se para os alunos que falam inglês era apenas um ditado que ocorria à 6f, para a H. era um trabalho diário para memorizar as palavras e perceber o seu significado.
(Muita refilice ouvimos nós porque os outros meninos não precisam de estudar as sight word e ela precisa (isto todos os dias sem excepção), e ainda continua).

Todos os dias tem de se praticar a leitura e a interpretação de textos, e para isso, existe o site do Raz-kids que os alunos devem aceder e ler pelo menos dois e-books (esta até uma das tarefas preferidas).

Mas depois das férias de Outono, veio o livro definido para o 1º período "Because of Win-Dixie", e como os alunos que não sabem inglês precisavam de um avanço, começaram a lê-lo nas férias... e assim continuamos a lê-lo, ao ritmo de quatro capítulos por semana... e não é um livrito como os do Geronimo Stilton.

De referir que os projectos a apresentar no final da semana, estão cada vez a aumentar mais a dificuldade: escolher um laureado com prémio nobel, e fazer uma breve apresentação, escolher uma citação e apresentar o porquê da escolha, o seu significado, entre outras coisas.

E ainda têm o trabalho de fim-de-semana de matemática... mas este é apenas uma ficha, sem grande complexidade.

Mas hoje quando peguei na mochila da H. achei-a demasiado pesada, e questionei-a sobre o excesso de peso... a H. ao tirar a quantidade de livros que diariamente carrega fiquei com os cabelos em pé...
Ora bem:
- o livro "Because of Win-Dixie", claro;
- mais o livro em português que lê nos tempos mortos na sala de aula;
- mais os livros que escolhe semanalmente da biblioteca (eles são obrigados semanalmente a escolherem livros da biblioteca), e que lê (ou tenta ler) quando não lhe apetece ler o seu em português;
- e agora o que me chocou, a bibliografia da Madame Curie, sobre a qual tem de escrever um trabalho/composição...
- e mais um trabalho que nem sequer percebi o conteúdo, mas amanhã também é 6f, depois vemos no fim-de-semana.



Passei-me... eles só têm 8 anos, certo? Prémio Nobel, artistas da suécia, bibliografias?!?!?? Eu sei que os devemos estimular e que eles conseguem muito mais do que aquilo que imaginamos, certo? Mas têm 8 anos...

Entre isto e o sistema digestivo, respiratório, ou outros que se estão a leccionar na 3ª classe em Portugal... o que faz sentido?

"Conhecimento não ocupa lugar", é um facto e uma grande verdade...
mas a semana tem 5 dias, e eles têm de brincar... e a ida ao parque diária não dispensamos!!
banhos e jantares, e ainda brincar,
e têm de se deitar cedo.

Eh pá, não dá!!!
Eles têm 8 anos, certo? concordo com a estimulação... mas não precisam de ser génios...

Podem abrandar o ritmo? Só um bocadinho?
Estamos mesmo a precisar de férias...


PS1. Sight words, muitas vezes também denominadas de palavras leitura frequente. Como são palavras frequentes, as crianças são incentivadas a memorizar como um todo pela visão, para que eles possam reconhecer automáticamente estas palavras em impressão sem ter que usar todas as estratégias para decodificá-las.

PS2. Quando referi " livro em português que lê nos tempos mortos na sala de aula", são mesmo na sala de aula, eles têm intervalos, e vão sempre para o recreio, independentemente do tempo, sol, chuva ou mesmo neve...



quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Tenho de partilhar...

Aqui, longe do nosso país, a família é tudo (a família imediata/próxima: os pais e os filhos, entenda-se) a falta de qualquer um destes elementos deixa-nos "perdidos" (deve existir uma expressão melhor, mas não me lembro.

Zangamo-nos mais, porque só podemos embirrar com estas 4 pessoas (no nosso caso), mas vivemo-nos mais, amamo-nos ainda mais, porque na realidade estamos mais "próximos".

Somos também mais tolerantes, porque somos os 4. Claro que sabemos que a nossa família está connosco (apesar de longe) e que somos amados, e que quando se reunem falam e pensam em nós. Mas aqui..., somos nós os 4..., e quando olhamos para o lado, olha somos nós os 4 outra vez.

Por vezes, dou por mim, a chegar ao final da manhã e a desejar que o dia acabe para estarmos outra vez juntos, apesar de os estarmos sempre e com mais tempo.

E se por vezes nos temos de separar, no nosso caso mais por motivos profissionais, só queremos que o tempo passe, porque o que queremos mesmo é estar os 4 juntos.

Claro que temos amigos, e os amigos aqui são na realidade uma segunda família. Uma segunda família que se apoia muito, mas mesmo mesmo muito,  mas não substitui os "próximos".

Tanta filosofia, apenas porque quero partilhar um momento maravilhoso de uma família linda, que se voltou a reunir ontem! Claro que houve sempre visitas e que continuavam a falar-se (e viva o Skype), mas não há nada como um abraço, e este video tem muitos.

Duas meninas e um pai que já não viam a mãe e a maninha pequenina à algum tempo. Pode não ter sido à muito tempo, mas é a família mais "próxima",e agora estão juntos outra vez.

Um grande bem haja para a família L..Tudo de bom para vocês.


PS. na realidade não sei partilhar videos aqui, e também não quero invandir a privacidade da família L. Partilhei o video no meu facebook. É de facto um momento lindo, e como alguém disse num dos comentários "(...) este video pode tornar-se viral (...)"



quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Um mês... [desta vez para o regresso]

[para o regresso das férias de Natal entenda-se ;) ]

Falta exactamente um mês para regressarmos a Portugal para passarmos o Natal com a nossa família.

Já andamos a falar no regresso à algum tempo, mas sabermos que falta precisamente um mês... um mês!! É o podermos agora começar a contagem decrescente, é o podermos falar todos os dias sobre o menos um dia que nos vai faltar... é uma óptima sensação.

As saudades são muitas, a excitação da época que vamos festejar é também enorme.

Lembram-se que passado um mês de aqui estarmos fiz um "Balanço positivo ou negativo?", desta vez perguntei quem volta para a Suécia e quem fica em Portugal, e as respostas foram assim:

V.: regressamos todos, claro!
S.: claro que sim!
M.: volto, se os papás e a H. voltarem.
H.: eu cá não volto!
M.: Ah, então se a H. não volta eu também não volto.
S.: ficas com a H. sem os papás??
V.: acabou a conversa! voltamos todos!

[esta não foi uma boa pergunta para fazer, já tive melhores dias...]

Uma coisa é certa, podemos começar a contagem decrescente: 29!
Estamos contentíssimos por irmos a Portugal.

O regresso após o Natal vai ser difícil.
O reencontrar dos nossos novos amigos, vai amenizar essa dor.

E gosto que as minhas filhas, apesar das guerras diárias, das implicâncias constantes, e das embirrices de uma contra a outra, achem que não poderiam viver uma sem a outra... fiquei muito muito feliz...




terça-feira, 19 de novembro de 2013

Onde está o Natal e a neve?!?!?

Ora bem...
Vim eu para um país de frio com a promessa de neve e frio...
Com a promessa de Natais brancos... lindos..., como se viessem de um sonho...

Onde estão?!? Onde?

Em Portugal já estariamos nós a massacrar, sim literalmente a massacrar, a cabeça do V. para ir buscar a árvore de Natal à arrecadação,... isto tudo para conseguirmos iniciarmos a época natalícia a 01 Dezembro...

E aqui?!?!

Já comprámos umas decorações:

E a árvore??

Aqui eles apostam nas naturais, o que até é bastante agradável, o cheirinho do pinheiro, o sabermos que no final o podemos devolver para voltar a ser plantado... a ideia é boa... não se fosse dar o caso de eles só os porem à venda duas semanas antes do Natal e nós nos irmos embora na semana antes do Natal e só regressarmos quando já acabou...

Não sei como fazer para resolver esta questão da árvore...

Bom! Mas, na verdade, cá em casa já temos um pouquinho de Natal sueco... apresento-vos o Tomte e lê-se "tomeTê":
É o Pai Natal sueco...

As tradições que tínhamos em Portugal tentaremos mantê-las aqui, a começar no envio de postais de Natal... atenção às vossas caixas de correio... ;)

No entretanto, continuaremos a nossa procura de uma árvore de Natal, que as nossas decorações assim o exigem, e de um presépio, claro!

Ah e ainda faltam as maçãs! Uma árvore de Natal tem de ter maçãs... não sei se os suecos sabem disto... a ver vamos...

[este post vai ter de certeza uma continuação!]

Pelas ruas principais já se veêm algumas decorações (apesar de ainda não as terem ligado) e algumas lojas já têm as suas decorações e bem bonitas que são...

Na realidade, já se sente um cheirinho de Natal!!




sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Este país de facto...

Vantagens e desvantagens de viver dentro ou fora do munícipio de Estocolmo...
Vantagens e desvantagens de colocar os filhos numa escola internacional ou sueca...

Questões que nos passam pela cabeça no pouco tempo que aqui estamos, apenas quando temos de passar pelas situações, e sem saber para onde nos virarmos e recorremos ao nosso município nos apercebemos que de facto são eles que "cuidam" de nós.

Queremo-nos inscrever no SFI (Swedish For Immigrants)? Primeiro falamos com o nosso município que eles tratam de nós tendo em conta os nossos constrangimentos.

Queremos inscrever os nossos filhos numa escola internacional porque não fala sueco e muito pouco de inglês? Bate-se à porta de todas as escolas internacionais, que nos dizem que não têm vagas, que não é possível pelo nível em que a criança está, que por ser privada o preço é incomportável, ou que por ser pública ou semi-pública o munícípio não comparticipa a escola por não se pertencer ao mesmo município, entre outros... ou deveremos ver todas as escolas com aulas leccionadas em inglês, e cujas respostas são praticamente as mesmas?

Não! Deveremos bater primeiro à porta do nosso município! Eles sim definem o que será melhor, porque a resposta deles é "Ela é nossa responsabilidade por isso, somos nós que lhe vamos resolver o problema".

Ouvir esta frase depois de tantos nãos e tantas dificuldades, foi a luz ao fundo do túnel, sim porque as 6 linhas em que descrevi esta situação não reflectem as dificuldades, a frustração e o desespero de se resolver algo que seria inicialmente simples (assim se pensou). Deixou-nos a todos nervosos.

A verdade é que a C. foi para uma escola sueca, perto da sua casa, com excelentes condições, sem ser necessário qualquer preocupação com material escolar, e a ser colocada numa turma com situações similares.

Não pretendo com este post descrever que este país é de facto espectacular e sem falhas, porque as tem, mas que de facto nos surpreende muito, e na maior parte das vezes pela positiva, ai isso surpreende.

Força aí C. que continue a correr bem, e as dificuldades quando aparecerem é para serem ultrapassadas com um passo de cada vez!

Para ti I., as coisas hão-de mudar...